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ORA LI, ORA VI


O TREM E OS RIOS

 

         Atualmente, em Alagoas, quando se pensa em viajar, programa-se logo o meio de transporte que se vai utilizar. Pode ser terrestre, aquático ou aéreo, particular, como automóvel, caminhonete, jipe, caminhão e outros; ou coletivo como o ônibus, navio, avião e já existe até o táxi-lotação que vem apanhar a pessoa na porta e a deixa no seu destino,  seja ele qual for.  É rápido e confortável. Mas, até o meado do século XIX, viajar era fogo, no boné do guarda! Quem habitava próximo do litoral ou das lagoas, utilizava os transportes aquáticos, como canoa, barcaça, pequenos navios, jangadas, pirogas, etc. e quem morava no interior não tinha outra opção que não fosse o cavalo, jumento ou burro, mesmo para longas distâncias. No último quarto do século, veio a maravilha do Trem, para  a felicidade de ricos e pobres.

        TREM é um veículo pesado, composto de vários vagões atrelados uns aos outros e puxados por uma locomotiva, sobre trilhos de ferro.

        A Revolução industrial começou no século XVIII, na Inglaterra, com a mecanização do sistema de produção e depois se espalhou pelo mundo. Antes a produção era artesanal. Quanto mais aumentava a população, mais aumentava a demanda de mercadorias. A ansiedade por maiores lucros, menores custos e maior rapidez na produção estimulou a busca, para melhorar a produção de mercadorias.      

         O TREM foi o elemento mais importante da revolução industrial porque facilitou, consideravelmente, o transporte das matérias primas para as fábricas e conduzia grande número de pessoas, para longas distâncias. Acelerou o povoamento porque, nas proximidades das linhas férreas, foram se formando vilas e povoados e, na construção das mesmas, foram criados milhares de empregos, além de ligar regiões e países, que antes eram isolados.

          O primeiro trem foi idealizado na China, em 1681, pelo Jesuíta belga Padre Ferdinando Verbieste. Era uma máquina auto-propulsora a vapor. Em 1769, o militar francês Joseph Cuguot construiu a máquina a vapor e em 1804, o engenheiro inglês Richard Trevithich construiu a locomotiva a vapor que puxava cinco vagões.

          Em 1856, Portugal inaugurou sua primeira linha férrea.

          No Brasil, o primeiro trem circulou em 1854, ligando a baía de Guanabara à Raiz da Serra, em Petrópolis, no Império de D.Pedro II. O responsável pela construção e aquisição foi Irineu Evangelista de Souza – o Barão de Mauá (depois Visconde) que denominou a locomotiva de Baronesa, não sei se em homenagem a sua esposa ou pela grandeza do novo transporte.

           Em Alagoas, foram inauguradas duas linhas férreas que faziam muitas curvas, porque acompanhavam os leitos dos rios, para evitar a subida em morros e serras. Os maiores rios que cortam o Estado de Alagoas, são o MUNDAÚ e o PARAÍBA, que já não são tão grandes, em face da degradação, graças ao desmatamento e à poluição.

            O rio MUNDAÚ (na linguagem indígena quer dizer “lagoa grande”) e, como os primeiros escravos fugidos procuravam o leito deste rio, para se embrenharem no matagal, até formar o Quilombo, segundo Dias Cabral, a palavra é formada por dois termos africanos – mundé = cilada + ú = rio, - rio da cilada, tortuoso. O rio Mundaú banha Alagoas e Pernambuco, passando por trinta municípios, mas toma volume de água em Alagoas. Nasce em Garanhuns e deságua na lagoa Mundaú. Esta tem 27 quilômetros quadrados.  Os principais afluentes são o Mirim e o Canhoto. A linha férrea que acompanha o leito do rio Mundaú, inicialmente, só ia de Maceió a Imperatriz (hoje União dos Palmares), foi inaugurada pelo Presidente da Província José Bento da Cunha Figueiredo, que governou Alagoas de 1868 a 1871. Este Presidente criou o Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas; a Escola Normal, no Lyceu, para formar professoras (antes só havia curso secundário para homens) e construiu a ponte dos Fonseca, sobre o Riacho Salgadinho, hoje Reginaldo, que passava pela Praça Sinimbu. Esta ponte ainda existe, porém depois que o leito do Reginaldo foi mudado, a pedido dos sócios do Clube Fênix, a ponte ficou sem utilidade.  Depois a linha férrea seguiu de União para Recife, ligando as duas capitais. Diziam que a onomatopéia do trem, quando deixava União, embalava a carreira e pegava rapidez, era assim: ”vou danado pra Catende, vou dando pra Catende, vou dando pra Catende, com vontade de chegar”.



Escrito por isa loureiro às 19h33
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            O rio PARAÍBA nasce na serra do Gigante, em Bom Conselho, Pernambuco e deságua na lagoa Manguaba, a três quilômetros, ao sul do Pilar. Bom Conselho, Águas Belas e Correntes pertenciam a Alagoas até um pouco depois da República. Aliás, oficialmente ainda pertencem, porque não há documentos que oficialize a separação. Pertencem, a Pernambuco apenas de fato, mas não de direito.  Se não tivesse acontecido esta transação política, assim como o São Francisco é um rio exclusivamente brasileiro, o Paraíba seria exclusivamente alagoano. Em extensão, é o maior rio de Alagoas, depois do rio São Francisco. Da nascente à foz, percorre 180 quilômetros.  É muito pedregoso, em muitos pontos do seu leito. Corre em um pouco de declive, até a serra Dois Irmãos, onde despenca em uma linda cachoeira. Seus principais afluentes da margem esquerda são: o Riachão e o Travessada; da margem direita são: Riacho do meio, Limoeiro, Gurunguba e Paraibinha.  A linha férrea que segue o seu leito foi inaugurada pelo Barão de Traipu, em 1891, quando este era presidente do Senado estadual (hoje Assembléia Legislativa), mas estava à frente do Governo. Esta linha ia de Maceió a Viçosa, que no ano seguinte foi elevada a cidade, tal o progresso, proporcionado pela chegada do Trem. Na década de 20 a linha foi estendida até Quebrangulo. Na década de 30, o monstro de ferro abandonou o leito do Paraíba, para ingressar pelo agreste e a linha chegou a Palmeira dos Índios. Os remanescentes de índios o chamaram de cavalo de ferro. No fim da década de 40, a linha se estendeu  até Arapiraca e, logo em seguida, até Porto Real do Colégio, ligando Maceió ao rio São Francisco.

         A locomotiva era movida a vapor, contanto que o último vagão era carregado de madeira e o foguista, de vez em quando, punha lenha na caldeira, para manter o vapor. Os ingressos eram comprados nas estações, na hora do embarque. O chefe da estação era uma espécie de autoridade, do local. Morava em uma boa casa, na própria estação e a locomotiva só se deslocava, quando ele apitava. Havia os vagões de 1ª classe e os de 2ª.  Nos de 1ª, as cadeiras eram duplas e dispostas uma atrás da outra, ao lado da janela. Quando se viajava em grupo, ou se encontrava com algum conhecido, era só empurrar o espaldar de uma e as duas cadeiras ficavam uma de frente à outra. Já no de 2ª classe, eram bancos compridos e duros, ao longo da parede lateral e as pessoas ficavam de costas para a janela. Quando não havia mais lugar nos mesmos, os viajantes iam em pé, segurando-se em argolas, penduradas no teto.  O preço da passagem era pela metade. Certa vez, uma criança de sete anos, inocentemente, fez a seguinte pergunta a uma conhecida: “por que você só viaja no trem de 2ª classe?  Mamãe só leva a gente no de 1ª” e ela respondeu rispidamente: “o meu chega ao mesmo tempo. Não chega?”

           Naquele tempo, não havia carretas, nem jamantas. De transporte de grande porte, só havia caminhões, mas as estradas eram péssimas e, no interior eram improvisadas. A chegada do trem foi um sucesso, porque havia os trens de carga, que carregavam grande quantidade de mercadoria, principalmente de cana de açúcar. Portanto, depois deste, a maioria das usinas de açúcar foram instaladas próximo das linhas e muitas delas se tornaram ponto de parada, isto é não eram estações. O trem parava por cerca de um ou dois minutos, apenas para embarque e desembarque de passageiros.  Quem viajava em uma das linhas, com destino à outra, fazia baldeação em Lourenço de Albuquerque.

           O TREM, além de ser um meio de transporte terrestre e coletivo (aliás, o mais seguro), passou a ter várias outras funções, como sejam:

a) correio – as correspondências passaram  a chegar ao destino com muito menor espaço de tempo;

b) transportadora – o trem de carga carregava qualquer volume ou peso, o que facilitou muito a vida dos comerciantes das cidades;

c) escritório administrativo – muitos negócios e tratados foram originados em um bate-papo, no trem e, posteriormente, realizados, gerando empregos e promoções;

d) cupido – muitos namoros, que terminaram em casamento, começaram no balanço gostoso e ao

                    som  relaxante do chi-qui-tim, chi-qui-tim, chi-qui-tim, do trem;

e) portador de sentimentos – na chegada, trazia ansiedade e alegria, tanto para quem o esperava, na estação, antegozando o encontro, como para quem nele vinha, pressuroso para abraçar os entes queridos, para relatar a viagem e seus resultados. Na saída era um tirano. Levando o coração dos que ficavam e deixando o coração de quem nele partia. Quantas mães, quantas noivas e esposas ficaram desesperadas, na estação, por verem partir o seu filho ou seu amor, para trabalhar fora ou por outros motivos, sem poderem acompanhá-los.

        

 Havia um soneto, cujo primeiro verso dizia:

        Quanto é saudoso o apito de um trem! Quando,

         Na estrada férrea, esvoaça velozmente,

         Em seus potentes carros alguém levando,

         Alguém por quem choramos amargamente.



Escrito por isa loureiro às 19h32
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 A PRAÇA E A PREFEITURA

 

    Qual o adolescente, da década de 50, que não se recorda com saudades da Praça Apolinário Rebelo?!... Praça que podemos chamar de “o coração da Viçosa”, porque desde as datas mais remotas sempre foi o centro da alegria na Cidade.

     Dr. Theo Brandão, com o cognome de “João Guadalajara”, em sua poesia VIÇOSA, descreve como era aquele recanto na década de 10, quando era chamado de Quadro. Embora “Que não é um quadrado, mas é um trapézio. Trapézio que tem ponta como um coração.  Vejamos:

Viçosa!

Cidadezinha do país das Alagoas!

Riacho do Meio, Vila de Assembléia...

Um Padre ia dizer missa na Passagem.

A passagem estava cheia

E se disse missa ali mesmo

Na beira do riacho.

Riacho do Meio,

Meio de minha Terra.

Tu tiveste um princípio

Igualzinho ao princípio do Brasil,

Com teu padre e tua cruz de madeira.

Até nisto tu és tão brasileira,

Viçosa do país da Alagoas,

Terra de tanta coisa ruim,

Terra de tanta coisa boa!

E o teu rio sinuoso

E cheio de pedra, como a vida.

E os “dois irmãos”

Olhando Inhamunhá na água branca do Rio.

E o teu ”Quadro”

Que não é um quadrado, mas é um trapézio.

Quadro” que enquadra todas as paisagens

Da vida mesmíssima das cidadezinhas do

                                                     interior.

Quadro”que guarda todas as reminiscências

De minha vida de criança.

Dias de “festa” Tinha cavalinhos, tinha tilburis,

Negras velhas vendendo manuês e mal-casados

Em tabuleiros alumiados por candeias de querosene.

 - Ah! Os bolos da Joana Doceira!

E a banda de ‘’pifes

Tocava no coreto, bem no meio da praça.

Tinha leilão

E o Chico Doninha gritava: - Quanto me dão!

As prendas na mesa.

O “Reisado” dançando na porta da Igreja.

- Êta secretário de sala!

Os “Quilombos”

- Folga negro, branco não vem cá.

As “Cavalhadas”

- Peixe, pirão dagua.

A procissão.

O cordão branco das filhas de Maria

Descendo a ladeira da Matriz.

Quadro” bonito do Brasil nacional...

Viçosa, cidadezinha do país das Alagoas

Terra de tanta coisa ruim,

Terra de tanta coisa boa!...

 

    Na minha adolescência, ninguém falava mais em “Quadro”, nem o coreto era mais aquele coreto alto, ”bem no meio da praça”. Quando Dr.José Maria de Melo era Prefeito, aliás, um dos melhores, dos mais competentes e dos mais humanos que estiveram  no governo da Viçosa, construiu outro coreto maior e mais próximo da extremidade da praça que, sem programação, se tornou o recreio da Escola Normal. Esta funcionava em cima do Banco de Viçosa, cedida gratuitamente por Dr. Brandão Vilela, desde quando era ele o diretor e era composta apenas de duas salas e a secretaria. Portanto, tínhamos que primar pelo silêncio e bom comportamento, para não atrapalhar os trabalhos do Banco. Mas nem sentíamos este rigor. Primeiro, porque naquele tempo, os professores eram respeitadíssimos, cada ordem era lei, sem se questionar se era razoável ou não e depois, porque tocou a sineta, sineta sim, pois só havia energia elétrica das dezoito horas, às seis da manhã, com exceção nas empresas e residência do Sr. Pedro Carnaúba, o magnata da Viçosa, que tinha energia própria. Logo, não havia campanhinha. Como eu ia dizendo, tocou a sineta, todo mundo corria para o coreto, que ficava bem em frente à porta. Ali, a gente brincava, conversava ou estudava, se fosse tempo de prova. Agora à noite, era espetacular! Rádio era coisa raríssima. Se houvesse uns cinco, alimentados por bateria, era muito. Até a hora da chegada do trem, o “promenade” era na Avenida, próxima da estação ferroviária. Depois, esta entrava em silencioso marasmo e a praça ficava repleta. As senhoras se reuniam com as vizinhas ou visitas, nas calçadas, pondo as novidades em dia – quem estava namorando com quem, quem ia se casar, os tecidos bonitos que tinham chegado na Loja do Povo ou na Reforma de João Pedro Jatobá e outros e outros papos, com que descarregavam as canseiras do dia.



Escrito por isa loureiro às 01h36
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  Outra obra inesquecível de Dr. José Maria foi o tanque, próximo à outra extremidade da praça, cheio de vitórias régias bem floridas. As flores enormes davam a impressão de que estavam soltas, boiando na água. Boiando nada. Estavam presas em seus talos, ocultos sob as folhas de cinqüenta centímetros, ou mais, em forma de bandejas, embelezando o ambiente e fazendo a alegria da juventude. Quer fossem paqueras, namorados ou noivos, todos procuravam aquele recanto bonito e agradável. Uma paquerinha, sem compromisso, sentados nos degraus do obelisco ou uma nova amizade, sentados na beira do tanque, era bom demais! Tudo com muita simplicidade e muita pureza. Os pais não se preocupavam porque não se falava em pedofilia, nem estupro, nem assalto. Tudo era só alegria. Alegria esfuziada pelo alto falante do bar de Zé Aragão que, além de transmitir noticiário, transmitia as belas músicas da época e quem pagasse dez tostões (um real de hoje) oferecia a  música a alguém,acompanhada de uma mensagem. Muitas vezes o locutor dizia: alô, alô  fulano “alguém” lhe oferece esta página musical. Alguém. Não dizia o nome, despertando a curiosidade de quem a recebeu e de quem a ouviu. Mas esta felicidade só durava até às nove horas, quando seu Paulo, o conhecidíssimo e respeitado sacristão da Matriz e zelador da honra das mulheres, tocava as nove badaladas do sino. Aí a correria era geral. As madames guardavam as cadeiras, as jovens que moravam na Rua do Cravo, na Rua Nova ou noutra rua distante, saíam a toda e a praça ficava deserta. Apenas alguns jovens iam arriscar umas tacadinhas, no bilhar do bar de Zé Aragão.

      Como tudo hoje é diferente! Os jovens e os adolescentes só querem discoteca (hoje boates), barzinhos, para alguns, um papo aconchegante na discrição de um motel ou grudado, na “internet”, uns estudando, pesquisando e outros conversando com namorados ou amigos virtuais. Este lazer está se tornando muito perigoso, porque do outro lado pode estar um assaltante, ou um pedófilo que consegue tomar todas as informações sobre a família, como hábitos, profissão, horas de saída, para dar o golpe. Quanto à hora da chegada em casa, seu Paulo podia quebrar a munheca de tanto tocar o sino, porque ninguém ouviria, em face da altura do som das músicas estridentes.

     Ah! Praça Apolinário Rebelo de saudosas recordações!

      Mas por que esta denominação? Quem foi este que recebeu tão significante homenagem de ter seu nome imortalizado bem no coração da cidade?

       Coronel Apolinário Rebelo Pereira Torres foi um dos vultos mais importantes da História da Viçosa e, podemos afirmar, da História de Alagoas. Depois da proclamação da República, as atuais prefeituras, tinham o nome de intendência e o chefe do executivo municipal era o intendente. Coronel Apolinário foi o primeiro intendente da Viçosa. Era o chefe do partido Conservador e, a 23 de fevereiro de 1890, três meses depois da Proclamação, foi o escolhido para intendente. Logo, foi ele o primeiro prefeito da Viçosa. Era inteligente, culto e decidido. Como político, era respeitadíssimo, até pelas autoridades do Estado. Fazia parte do Senado Estadual, que hoje é a Assembléia Legislativa, logo, era Deputado Estadual.

    Seus primeiros estudos foram no Lyceu Alagoano, hoje Escola Professor Edmilson Pontes. Quando adolescente, demonstrando vocação sacerdotal, foi para o Seminário de Olinda, mas um triste golpe da sorte fê-lo interromper a carreira clerical. Seu pai, senhor do Engenho Gereba, faleceu, a organização deste se desestabilizou e ele teve que deixar o Seminário, onde adquiriu vasto conhecimento, para administrar o engenho. Dedicar-se só a agricultura e à indústria açucareira não fazia muito seu gênero e ele abriu um escritório de advocacia, em Viçosa. Era rábula – indivíduo de grande cultura, que advoga, mesmo sem ser formado em Direito. Cheio de imaginação e rico em verbosidade, sempre se saiu vitorioso, nos tribunais. Defendeu causas até em Pernambuco como advogado “ad hoc”. Além de Prefeito e deputado, ocupou vários cargos, tanto em Viçosa como em Maceió. Portanto, a homenagem ao seu nome foi muito bem merecida.

      Coronel Apolinário casou duas vezes. Morreu em 1910 deixando uma grande descendência.  O vírus da política se tornou genético de forma que nas gerações de seus descentes sempre se elegia um Deputado Estadual e Prefeito da Viçosa. Eis que os conheci:

   JOSÉ EVILÁSIO TORRES – bisneto do coronel Apolinário. Fez o curso primário em Viçosa, com o Professor João Domingues Moreira, o secundário em Maceió e em 1930, ingressou na Faculdade de Direito, em Recife. Inteligente e estudioso, tornou-se poeta e literato. Ainda muito jovem manifestou tendência para o jornalismo, colaborando com os jornais Gazeta de Viçosa e Jornal de Viçosa. Com outros companheiros fundou o “Porvir”, jornal onde os viçosenses expunham suas produções literárias. Na década de 40, foi eleito Deputado Estadual. Ultimamente, foram prefeitos do Município os dois Flaubert, seu filho e seu neto. Este é o atual Prefeito.

      No primeiro governo de Getúlio Vargas, foi decretado que as cidades do Brasil que tivessem o mesmo nome, só ficaria com este a cidade mais antiga. Como a VIÇOSA de Minas Gerais era mais antiga do que a VIÇOSA de Alagoas esta passou a ser chamada pelo seu antigo nome de Assembléia. No governo do General Eurico Dutra, outro decreto devolveu o nome às cidades e a nossa Princesa das Matas voltou a ter o seu bonito nome de VIÇOSA.



Escrito por isa loureiro às 01h32
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  O SUPLÍCIO DO IMPASSE DE CALABAR

    

     HISTÓRIA É CIÊNCIA. Tem que ser baseada em documentos e não em tradição. A História narrada por “ouvi dizer” é apenas estória. Não tem nenhum valor.

    Todas as vezes que alguém sabe que sou professora de HISTÓRIA DE ALAGOAS, vem com a mesma pergunta –“Calabar foi herói ou traidor?” e a minha resposta é sempre a mesma – Calabar foi um decepcionado, um desiludido, um frustrado.Foi mártir de suas ilusões”. Passou para o lado dos holandeses por convicção, refletidamente, sem nenhum interesse financeiro, como provam os documentos, só acreditando nas promessas do invasor, de que o Brasil seria livre e progressista como os países da Europa .

   

    Em 1624, os holandeses invadiram a Bahia e incendiaram o centro de Salvador, mas no ano seguinte foram rechaçados e se retiraram. Nesta época, Portugal estava pertencendo a Espanha.  Esta agraciou Mathias de Albuquerque, irmão de Duarte de Albuquerque, donatário de Pernambuco e neto de Duarte Coelho, pelo seu empenho na expulsão do invasor e em 1629 o nomeou Governador da Capitania de Pernambuco. Os holandeses não tardaram e no ano seguinte invadiram a Capitania, aquartelando-se em Olinda. Vendo que a ambição dos invasores era o açúcar de Pernambuco, Albuquerque incendiou os engenhos da redondeza, mesmo assim eles tomaram Recife.  Afim de evitar a penetração dos batavos em outras localidades, Albuquerque criou um posto bem fortificado, entre Recife e Olinda – o Arraial de Bom Jesus, onde recebia as tropas do interior, fortalecendo-se e começou as lutas de emboscada. Dentre seus valorosos soldados, contava com um moço de Porto Calvo que viera oferecer-se para lutar em defesa da Pátria. Chamava-se DOMINGOS FERNANDES CALABAR, filho de D. Ângela Calabar, senhora de engenho, viúva de um negro.  Calabar era mestiço, porém inteligente e guerrilheiro audaz.  Foi ferido em duas investidas dos holandeses contra o Arraial. Numa destas os invasores perderam muitos de seus homens e estavam prestes a desistir.

 

     A Espanha não tinha tomado nenhuma providência, quando a Holanda recebeu um ofício de Waerdenburch, um dos chefes dos invasores, que terminava assim: “... É esta paragem da qual todo o Brasil se pode conquistar e espero, ao ver o medo com que está a colônia, que poderei fazer progressos que dêem a V. Sas nome eterno. Porque daqui se pode enfrear e guardar o Brasil todo com poucos gastos, arruinar a navegação do inimigo nas costas e atrair os habitantes à mútua amizade e aliança..” Este ofício percorreu a Europa toda. Quando chegou em Portugal, a Câmara se reuniu e exigiu que Madrid mandasse urgente uma esquadra em Socorro.  A Espanha mandou uma, comandada por D. Antônio Oquendo. A Holanda quando soube mandou outra,comandada por Adrian Pater. D. Oquendo saiu distribuindo reforços para Pernambuco, Paraíba e Bahia. Pater foi ao encontro de Oquendo e as duas esquadras  se confrontaram na Bahia. A luta durou seis horas e D. Oquendo saindo vitorioso, incendiou alguns navios inimigos.

 

    Já fazia um ano que os holandeses estavam em Pernambuco. Alagoas era apenas o sul de Pernambuco e esta região, até então, tinha sido apenas espectadora do que se passava na Capitania. Entrou no cenário da luta quando a esquadra espanhola  de D. Oquendo aportou em Barra Grande, poucos quilômetros, acima de Maragogi.

    

     Com o socorro chegado para Mathias de Albuquerque e a derrota de Adrian Pater, os holandeses sentiram que havia chegado a hora de desistir da conquista. Incendiaram Olinda e tentaram uma investida no Rio Grande do Norte, mas Albuquerque seguiu o encalço, com três companhias de soldados e mais de duzentos índios e chegou a tempo de evitar o ataque. Os holandeses, decepcionados, voltaram para Recife, onde ficaram encurralados. Lembraram-se então de mandar conquistar aquele mestiço brasileiro que, além de grande cabo de guerra, seria um excelente guia. É do holandês Aldienbert  esta carta que seguiu para a Holanda em 14 de novembro de 1631: “ Mandei Jouer, que fala o idioma do paiz, se entendesse com elle, e como Jouer é catholico e amigo dos portugueses e convencionalmente não nos quer bem, sahiu-se  feliz na empresa. Apesar de ter sofrido injustiças por parte dos seus patrícios, por ser escuro, recusou-se aceitar nosso offerecimento de dinheiro e honras. Somente um explicação das vantagens e dos benefícios de nossa causa é que o demoverão a se bandear para o nosso lado.”

 

     Como vimos, Calabar, apesar de viver oprimido e humilhado pelos portugueses, que constantemente o tratavam com desdém e o ridicularizavam por ser mestiço, recusou as vantagens oferecidas , embora desejasse para o Brasil a tutela de outra nação. Aqui só se conhecia o despotismo dos portugueses, o luxo dos ricos, a escravidão do negro e do índio e a miséria do pobre. Portugal não melhorara o Brasil. A Espanha muito menos. Não só ele, mas toda a população estava desgostosa porque estes dois países deixaram a Capitania indefesa, exposta às invasões nem sequer mandavam recursos para socorre-la. Os holandeses, com muita habilidade exploraram este estado de espírito dos pernambucanos e novamente  tentaram atrair aquele elemento de primeira ordem, de cujas ações guerrilheiras, eles mesmos já tinham conhecimento. Para falar com Calabar, mandaram um agente de propaganda que, ardilosamente, pregava por toda parte: “Trazems a vossa liberdade. Queremos fazer de vós um povo livre e um povo amigo, para juntos, trabalharmos em benefício comum”.



Escrito por isa loureiro às 21h31
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 Pela primeira vez se falava em liberdade, no Brasil. Calabar, inteligentemente fez um paralelo entre o modo de agir dos portugueses e espanhóis e o dos holandeses, resolveu jogar com a sorte, porque pelo menos os holandeses prometiam e, no dia 20 de abril de 1632, apresentou-se aos generais holandeses para oferecer seus serviços e traçar novos planos de ação. Wandenburch enviou o relatório de 26 de abril de 1632, para as Índias Ocidentais, que assim informava:

  Conseguimos, com muito custo, e por intermédio de um nosso agente de propaganda, a adesão do bravo e inteligente cabo de guerrilhas, Domingos Fernandes Calabar. Conhece a fundo o território e só se colocou de nosso lado pela convicção, pois recusou a recompensa que VV.SS. lhe haviam mandado. Diz que está certo de que conosco sua pátria irá melhor do que com os hespanhoes e portugueses. É um mulato muito curioso e de grande vivacidade e de algum conhecimento, muito raro nestas paragens. Envio-lhe uma carta que nos mandou, comunicando a sua adesão”.

     Calabar sugeriu uma investida ao norte da Capitania. Atacariam a vila de Igaraçu e de lá partiriam para a Ilha de Itamaracá. Conhecedor da organização e dos planos de Mathias de Albuquerque, era um elemento utilíssimo para os holandeses, mas foi grande a sua decepção, logo nos primeiros dias, porque os mesmo não confiavam nele, pensando que ele estivesse lhes preparando uma traição. Também o chamavam de mestiço. Viajaram toda a noite, mas os Generais nunca lhe davam as costas e mandavam quse os outros tomassem cuidado com o mestiço. Pela madrugada, encontraram uns carros de bois e, para que não dessem notícia, mataram os carreiros. Chegando a Igaraçu, prenderam as autoridades civis e religiosas e atacaram a vila, com atrocidades. Foram para Rio Formoso, onde só escaparam da morte os homens que tinham saído de madrugada para o trabalho e as mulheres foram seviciadas.

 

       Não há nenhum registro histórico de que Calabar estava arrependido, mas imaginemos que situação periclitante. Estarrecido e escandalizado com as barbaridades dos holandeses e temendo a revanche dos patrícios, principalmente os sobreviventes da chacina de Igaraçu e Rio Formoso, que, em cada família, havia vários inimigos, porque afinal foi ele quem guiou os invasores para lá. Pelo menos, entre os holandeses se sentia mais amparado. Mathias de Albuquerque empregou todos os meios para ele voltar às fileiras portuguesas. Numa tentativa mais arrojada, escreveu-lhe a seguinte carta:

   “ Em nome de El-Rey vos offerecemos a restituição de vossas benfeitorias e bens, 50.000 cruzados de compensação, a tença que em razoável pedirdes, o posto de Mestre de Campo, o título de Dom, a amisade d’El-Rey e a nossa. E o que é que ainda quereis que não vindes? A vossa inteligência, os vossos admiráveis conhecimentos, o vosso invejável valor, é pedido por El-Rey Nosso Senhor”.

 

     Mediante tanto oferecimento, Calabar jogou uma grande interrogação no cérebro de todos os Historiadores dos últimos séculos. Foi temor? Foi heroísmo? Ninguém se atreve a afirmar cientificamente, pelo teor de sua resposta:

      Depois de ter derramado meu sangue pela causa da escravidão que é a que defendeis ainda, passo para este campo, não como traidor, mas como patriota, por que vejo que os holandeses procuram implantar a liberdade no Brasil, enquanto os espanhoes e portugueses cada vez mais escravisam o meu paiz. Como homem, tenho o direyto de derramar o meu sangue pelo ideal que quizer escolher; como soldado, tenho o direyto de quebrar o juramento  que prestei enganado. O meu desinteresse é sabido por aqueles que foram meus chefes. Quizestes confiar-me um honroso posto n frente de vossas tropas. Recusei. ............. (e termina) Com o mesmo ardor e sinceridade com que eu bati-me pela vossa bandeira, me baterei pela bandeira da liberdade do Brasil, que é a holandesa. Tomo Deus por testemunha de que o meu procedimento he o indicado pela minha consciência de verdadeiro patriota”.

 

                     **************************************************

Apoio bibliográfico

 

SETÚBAL, Paulo. O Príncipe Nassau, 4ª edição, Edições Melhoramentos, 1933.

VARNAGEN, Francisco Adolfo. História Geral do Brasil, I, II, III, e IV vol, 7ª ed,

                        Edições Melhoramentos, 1962.

DUSEN, Adriaen van der. Relatório sobre as Capitanias Conquistadas pelos Holandeses, 1639. Tradução de José Antônio Gonçalves de Mello Neto, Edições do Instituto do Açúcar e do Álcool, Rio de Janeiro, 1947.



Escrito por isa loureiro às 21h25
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QUER CONHECER?

 

               CONHECIMENTO  é a adequação da idéia ao objeto.  A criança que conheceu um livro, para o resto da vida, em qualquer tempo e em qualquer lugar que ela encontrar aquele objeto, sabe que é um livro. Ou quando ouvir a palavra “livro”, o objeto lhe vem à mente.

        A palavra CONHECIMENTO vem do latim COGNOSCERE. Em todas línguas latinas, a raiz é a mesma – conhecer em português,  conoscere  em italiano, conaitre em francês e conocer em espanhol.

 

ORIGEM –

                    Desde o tempo do homem das cavernas que a humanidade conhece as coisas, as pessoas, os fenômenos, os objetos, etc, porém não se preocupava em saber o significado de conhecimento.  Os filósofos da antiguidade se preocupavam mais com a metafísica. Entre eles estava Aristóteles – o Príncipe dos Filósofos, que foi um gênio. Aristóteles nasceu na Macedônia, 384 anos Ac. Aos 12 anos foi residir em Atenas, onde foi discípulo de Platão e fundou uma escola nova que deu o nome de Lyceu. Procurou ele estudar todas as ciências, os fenômenos existentes e até os fenômenos que ainda poderiam acontecer. Deixou Tratados de Lógica, de Retórica, de Ética ou Moral,  de Política,  de Economia,  de Física,  de Metafísica,  de Filosofia, Tratados do Céu, do Espaço e do Mundo  História dos Animais,  e muitos outros. Foi Aristóteles o primeiro a se preocupar com o Conhecimento Humano, quando falava na “Necessidade de se conhecer as coisas para se descobrir a causa”.

       Inicialmente o homem  procurava as explicações,  para os fenômenos, através da religião que foi sem dúvida a origem de todas as outras instituições. Depois, a Grécia tornou-se o berço da Ciência, onde os sábios procuravam esta explicação, através da Filosofia que foi a “célula mater” de todas as

 Ciências.  Os gregos eram pagãos e politeístas. Adoravam a vários deuses que moravam no monte Olimpo (a mais alta montanha da Grécia). Eram deuses humanizados, com os mesmos temperamentos e as mesmas paixões das criaturas humanas. A diferença é que eles tinham mais poderes do que os homens e se alimentavam de Ambrósia e néctar. Os gregos, como não podiam explicar os fenômenos, os atribuíam aos poderes dos deuses, como Zeus ou Júpiter – pai de todos e o mais poderoso; Hera ou Juno - mulher de Zeus; Poseidon ou Netuno – deus dos mares; Apolo - deus do sol, da luz e da música; Artemis ou Diana – deusa da lua e das caçadas; Marte - deus da guerra; Hércules - deus da força; Eros - deus do amor; Afrodite – deusa da beleza ; Ceres – deusa da agricultura e muitos outros.

            Com a expansão do cristianismo, no Império Romano, a Igreja Católica, descendente do judaísmo que era monoteísta, adorando um só Deus, Criador e Senhor de todas as coisas, proibiu que seus seguidores estudassem os ensinamentos dos filósofos da Grécia porque  eram prejudiciais à fé, pelo fato de serem eles pagãos e politeístas. No século XIII, alguns monges dominicanos se preocuparam com o conhecimento dos fenômenos e deram origem a uma corrente teológico-filosófica que recebeu o nome de Escolástica. Os vultos mais importantes foram Santo Alberto Magno que procurava estudar todas as ciências de seu tempo, conhecia e comentava as obras de Aristóteles e São Tomás de Aquino, o Doutor da Igreja, de quem se originou o sistema Thomista. São Thomas de Aquino nasceu em 1227 no reino de Nápoles, na Itália. Ingressou na Ordem dos Dominicanos. Foi discípulo de Santo Alberto Magno e passou a ser o mais profundo Teólogo do seu tempo, o que lhe valeu os títulos de Doutor Universal, Doutor Angélico, Anjo da Escola e de pois Doutor da Igreja. Passou a estudor a metafísica, aprofundou-se em Teologia Moral, fazendo  distinção entre o bem e o mal. Deixou várias obras, mas a principal foi a Suma Teológica. Santo  Alberto Magno convenceu a Igreja de que a Filosofia Grega poderia ser estudada à  “luz da razão, sem prejudicar  a fé” e Thomás de Aquino cristianizou as idéias de Aristóteles.

 

CLASSIFICAÇÃO DOS CONHECIMENTOS -

             Uma das preocupações da Escolástica foi estudar as formas dos conhecimentos humanos e  os classificou em  Vulgar, Empírico, Filosófico e Teológico.

 

        a) Vulgar- é o tipo do conhecimento  trivial, notório, em que a pessoa sabe que o fenômeno existe, porém não sabe explicar o por quê. É o conhecimento baseado na informação. Por exemplo: um jovem estava trabalhando no censo estatístico, viajando pelos sítios, andando bastante. Estava muito suado quando caiu um temporal. Chegou ele a uma casa, indisposto e já com febre alta. A dona da casa era uma senhora idosa, deu-lhe hospedagem e um chá quente de limão com sabugueiro. No dia seguinte, o rapaz amanheceu  quase restabelecido e perguntou àquela senhora porque o chá lhe havia servido tanto.  Ela apenas respondeu que os mais velhos já diziam que aquilo era bom para gripe. Ora, ela sabia que o chá curava a gripe, mas não sabia explicar que esta ataca, quando a pessoa está carente de vitamina “C” e que o limão é rico desta vitamina. É bom não confundir que o conhecimento vulgar seja atribuído aos ignorantes. A pessoa pode ser muito culta e não saber explicar um fenômeno que não é de sua área. Um respeitável astrônomo pode muito bem desconhecer como se desenvolve uma cárie dentária, sabendo que ela existe.

 

         b) Empírico – é o conhecimento adquirido na vivência, na prática do dia a dia. É baseado na experiência e esta nos é transmitida pelos sentidos corporais. É o conhecimento sensorial, dos fenômenos que são susceptíveis de serem percebidos pelos sentidos corporais. A pessoa afirma o fenômeno, relacionando-o com outro que já foi observado. São Thomas de Aquino diz  que “tudo o

 que está na inteligência, passou pelos sentidos corporais”.  Vejamos um exemplo. Um jovem, recém-formado em Oceanografia,  estava na praia, equipando sua lancha, para ir fazer uma pesquisa em alto mar. Um jangadeiro, analfabeto e maltratado, foi chegando e o aconselhou a não se afastar  muito da praia naquele dia, porque estava para romper uma grande borrasca, o mar poderia ficar furioso e era grande o perigo da lancha não suportar. O doutorzinho duvidou e ironizou-o e continuou nos preparativos, diante da tolice daquele homem ignorante. O jangadeiro insistiu no conselho, o jovem relutou em acreditar, vez que o céu estava limpo e o mar tranqüilo, mas depois resolveu atender.  À tarde, o mar estava revoltoso, com ondas violentas. Admirado, ele foi perguntar ao jangadeiro em que se baseara sua previsão e ficou estarrecido ao ouvir  seu ignorante interlocutor dizer que fora avisado pelo seu dedinho. Em seguida mostrou que molhava o dedinho na boca e estirava o braço para cima. Conforme o lado que o mesmo ficava  frio, ele conhecia a posição que o vento estava soprando  e, conforme a direção do vento, ele conhecia as mutações do mar. Logo, o conhecimento empírico não é característica de cultos nem de ignorantes. É  de todos que já tiveram experiência. O jovem oceanógrafo tinha o conhecimento teórico e o jangadeiro tinha a vivência, a prática, a experiência.

           

c) Filosófico – é o conhecimento que não depende da informação, nem da experiência. É baseado na razão.  Sócrates dizia: “ Penso, logo existo . Não é necessariamente o conhecimento dos grandes filósofos. Desde que a pessoa use o raciocínio, poderá se livrar de situações críticas ou .....   continua



Escrito por isa loureiro às 21h23
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perigosas, mesmo que nunca lhe tenha acontecido coisa semelhante. É o conhecimento susceptível à crítica e à reflexão.

           

d) Teológico – é o conhecimento da divindade e sua relação com o homem. É baseado na . O homem sente necessidade de uma força superior, uma força a quem ele possa recorrer nas situações difíceis. É o conhecimento cujos fenômenos não podem ser observados.

           

 OUTRAS TEORIAS

                      Do século XIII  para o século XX, foram abismais as transformações por que o mundo passou, com os descobrimentos, as descobertas, o progresso da ciência e da tecnologia. Dos fins do século XIX, para começo do XX, surgiu a Escola Americana, de pensadores modernos, inclusive John Dewey. Esta corrente filosófica passou a estudar os tipos de conhecimentos humanos  de um mundo atual, científico e tecnológico, mas terminou seguindo as pegadas da Escolástica, trazendo apenas uma apresentação modernizada, com uma terminologia mais atual, com esta nova classificação: Por Autoridade, Empírico, Lógico e Místico.

a)                 Por Autoridade – é o conhecimento vindo de alguém, em quem a pessoa confia, como do pai para o filho – papai disse..., do padre para o católico, do pastor para o crente, do médico para o cliente, do autor para o leitor, etc. Analisando-o, vê-se que também é baseado na informação.

 

b) Empírico – não houve alteração.

 

c) Lógico – é o conhecimento do discernimento instantâneo, imediato da realidade material ou mental. A inteligência intuitivamente apanha a idéia. Passa de uma verdade conhecida para uma desconhecida. Este movimento é chamado de raciocínio.  Também é baseado na razão. A lógica é formada de três partes:  duas proposições conhecidas, chamadas premissas e uma conclusão que podem ser falsas ou verdadeiras. Por exemplo:

    - Todo viçosense é Alagoano.

      Tereza é viçosense.

      Logo Tereza é Alagoana

 

d)  Místico – É o conhecimento do sobrenatural, ou do extra-sensorial, que não pode ser confrontado com outros porque dificilmente o fenômeno se repete e, se acontece se repetir, não o faz quando se deseja. É um tipo de conhecimento que se restringe a um número limitado de pessoas. É também baseado na . Quando a Escolástica classificou os conhecimentos humanos, ainda não havia comunicação intercontinental e os europeus não conheciam outro espiritualismo que não fosse o pregado pela Igreja Católica. O conhecimento místico é também uma busca de forças ocultas e superiores que, para aqueles que a elas recorrem, são capazes de resolver situações difíceis. Muitas vezes, pode ser até a fôrça do pensamento.

Como já foi dito, a Escola Americana tentou mudar a classificação, mas apenas modernizou os termos.  Na essência, permaneceu a orientação da Escolástica.

 

Quando o conhecimento é baseado na observação sistemática é o Conhecimento Científico. Renné Descartes, cientista francês, nascido em 1596, tornou-se o  pai do Conhecimento  Científico, quando criou oPrincípio da Dúvida Sistemática”. O cientista deve duvidar sempre, investigar, testar, até chegar às suas próprias conclusões.

 

AQUISIÇÃO DOS CONHECIMENTOS –

Todo conhecimento é social. É a apreensão da realidade, segundo os símbolos de cultura, no qual o indivíduo está situado. Isto porque cultura engloba valores, conhecimentos, ideologias, conceitos, etc., que são os meios que levam o homem a  aprender a realidade no trabalho científico.

O título do livro de Thomas Merton já diz o seu conteúdo. “Homem algum é uma ilha”.  O homem é um ser criativo que tem instinto gregário. Ele sente necessidade de conviver com outros  para que possa se relacionar e adequar o mundo às suas necessidades., como também a ele se adequar, buscando conhecê-lo e raciocinar sobre o que nele acontece. É no convívio com outros que sempre adquirimos conhecimentos.

 

 O homem adquire conhecimento de três maneiras:

a)      Pelo que recebe dos antepassados;

b)     Pelas próprias descobertas;

c)      Pelas suas investigações.

 

           O Conhecimento nos seus diversos níveis não é apenas instrumento de  uma Ciência. É de todas as Ciências. Todo conhecimento humano parte do mais comum, ao mais experimentado. É o  homem que se  coloca diante das coisas para observá-las, para conhecê-las,  para com elas aprender o que lhe é inteligível e torná-las objeto de estudo a fim de procurar a abstração  e entender até onde vai a generalização dos fenômenos.

 

PS – Anexando o folclórico ao científico, achei interessante essa estorinha e passei-a para meu Blog:

                           Dois alunos procuraram o professor, para tirar uma dúvida e perguntaram:

- Mestre, qual a diferença entre CONHECIMENTO E SABEDORIA?

 - O mestre respondeu: Ponham quatro caroços de feijão, dentro do sapato e subam aquele morro. Quando voltarem eu darei a explicação.

    No dia seguinte, os dois estavam subindo o morro e, no meio da percurso, um deles já não suportava mais, de tanta dor nos pés. Chegou ao cume do monte chorando, enquanto o outro subiu fagueiro, cantando e chegou em cima rindo. Aí se deu o seguinte diálogo:

-  O dolorido - Nelsinho, você não sentiu muita dor , nos pés?

- Nelsinho – Não. Nenhuma.

- O dolorido – E como é que você faz para pisar?

-Nelsinho – Eu cozinhei os caroços de feijão.

 

 Moral – Aí está a diferença englobando os conhecimentos vulgar, empírico e lógico

 

 

 



Escrito por isa loureiro às 16h32
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UM TRONO PARA UMA PRINCESA

                                        UM TRONO PARA UMA PRINCESA

 

    Jorge Coelho, filho de Duarte Coelho e 3º donatário de Pernambuco, ao assumir o governo da Capitania, dividiu-a em duas partes - a do norte, ficou por ele governada e a do sul, ele dividiu em  sesmarias, cujos sesmeiros teriam as mesmas obrigações dos donatários das Capitanias Hereditárias – cultivar, povoar e defender.  Quando os holandeses, na invasão  de Pernambuco, dominaram o Arraial de Bom Jesus, Mathias de Albuquerque, filho de Jorge de Albuquerque, veio para Alagoas, acompanhado de umas oitocentas pessoas e de seu irmão Duarte de Albuquerque Coelho, o 4º donatário da Capitania.  Este já estava muito idoso e, seu último ato foi, em 1636, elevar à categoria de vila, as povoações de Penedo, Alagoas do Sul (hoje Marechal Deodoro) e Porto Calvo. Mais de um século depois, em 1764, foi a vez da povoação de Atalaia passar para a categoria de  vila.

    Atualmente, vila é um aglomerado de casas, uma pequena cidade, que ainda não passou a município. Mas naquela época, vila era uma grande extensão territorial, com suas partes urbana e rural, tendo a povoação como a sede administrativa. A vila de Atalaia compreendia grande parte do vale do rio Paraíba. Ia da povoação de Atalaia, à povoação de Passagem. Esta, apesar de ser mais antiga, hoje é um pequeno distrito de Quebrangulo.

     Conta a tradição que, todos os anos, pelo Natal, um padre saía  de Atalaia, a cavalo, para celebrar a missa do Galo, na povoação de  Passagem. Neste percurso havia um riacho que, por ficar a igual distância de outros dois, os caçadores o tomaram como ponto de encontro e passaram a chamá-lo de Riacho do Meio. Em um Natal, quando o Padre de Atalaia se dirigia à Passagem, este riacho estava tão cheio que não lhe deu passagem. O Sacerdote compreendeu que não tinha como continuar a viagem. Se a continuasse, não chegaria a tempo de celebrar a missa à meia noite e também não daria mais tempo de voltar para celebrar em Atalaia. Então, procurou um outeiro, próximo do referido riacho, com a ajuda do sacristão, ergueu uma cruz, improvisou um girau de varas, para servir de altar e celebrou a missa ali mesmo. Aquela cruz, ali deixada, atraiu romeiros, alguns já escolheram o local para sua habitação e logo, logo foi se formando um pequeno povoado que recebeu o nome Riacho do Meio. Neste povoado, era costume, ao cair da tarde, os homens se sentarem às portas das casas, para conversar sobre as lavouras e as notícias que raramente chegavam da Cabeça da Comarca (Alagoas do Sul). Estas reuniões eram chamadas jocosamente de assembléia. Mesmo com a pronúncia difícil para os analfabetos, a povoação passou a ser chamada de vila Assembléia.

      A fonte oficial mais distante, que existe, é a de que, segundo Alfredo Brandão, em 1790, um agricultor da vila de Alagoas, chamado Manuel Francisco, por determinação do Ouvidor da Comarca (hoje, juiz), foi residir no sítio Riacho do Meio, com o fim de explorar, ali, a cultura do algodão. O próprio Alfredo Brandão é de acordo que este Manuel Francisco era um dos romeiros da Cruz. Ele derrubou as matas, fez roçados e construiu uma capelinha de madeira, no local da Cruz.  Ao lado da capela, outros romeiros foram construindo suas casas e, logo, se desenvolveu o povoado Riacho do Meio. Posteriormente, neste local, foi construída uma igrejinha, com a invocação de Nossa Senhora do Rosário.

      Quando  Manoel Lobo de Miranda Henriques era  Presidente da Província de Alagoas, pelo Decreto Imperial de 13 de outubro de 1831, Atalaia perdeu duas de suas vilas. Uma banhada pelo rio Mundaú, com o nome de Vila Nova de Imperatriz (hoje União dos Palmares) e a outra, banhada pelo rio Paraíba, com o nome de Vila Nova de Assembléia. O território desta compreendia as povoações de Riacho do Meio, onde ficou a sede e as de Lourenço (hoje, Paulo Jacinto), de Passagem, de Quebrangulo, de Caçamba e de Limoeiro.

      Depois da República, as Províncias passaram a ser Estado e as vilas a municípios. Pelo Decreto e nº46 de 25 de novembro de 1890, o então Governador Pedro Paulino da Fonseca mudou o nome de Vila Nova de Assembléia para Vila VIÇOSA. No ano seguinte, também numa véspera de Natal, houve a inauguração da via férrea. Com a chegada do trem, o progresso foi tão grande, que a Viçosa passou a ser uma das principais vilas do Estado, só perdendo para Maceió e Penedo. 1892 foi também um ano de felicidade para nossa Terra. O então Governador do Estado Gabino Besouro elevou a Vila à categoria de Cidade. Com o progresso, a cultura se desenvolveu de tal maneira, que lhe foi dado o título de Atenas Alagoana.

                  Dr. Theo Brandão, com o cognome de João Guadalajara, começa a sua linda poesia VIÇOSA, fazendo referência à origem de nossa querida Terra.

Viçosa!

Cidadezinha do paiz das Alagoas!

Riacho do meio, Vila de Assembléia...

Um padre ia dizer missa na passagem.

A passagem estava cheia

E se disse missa ali mesmo

Na beira do riacho.

Riacho do Meio, Meio da minha Terra.

Tu tiveste um tiveste um princípio

Igualzinho ao princípio do Brazil!

Com teu padre

E tua cruz de madeira.

Até nisto tu és tão brazileira

Viçosa do paiz das Alagoas.

...........................................”

 



Escrito por isa loureiro às 11h57
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     Quando eu estava na Escola Normal, nós cantávamos um hino que, salvo engano, a letra era do Prof. Pedro Teixeira de Vasconcelos e a música da Prof. Maria Nazareth Baptista. Este hino fazia referências às duas versões da origem da Viçosa – a religiosa, com a tradição da Missa e a oficial, com o seu desbravador. Era assim:

            Quando as florestas dormiam e o rio cantava, com graça e amor.

Quando a beleza imperava, nasceu a Viçosa, com todo esplendor.

Foi numa noite sublime, de estrelas mimosas, de encanto e ilusão,

Em que Jesus, Deus Menino formou nossa Terra e deu-lhe proteção.

 

13 de outubro, data querida,

Por toda a vida, seja o fanal

Dos que trabalham, dos que progridem

Para a grandeza da Terra natal.

 

Manuel Francisco, Gigante, desbrava as florestas, constrói e cultiva.

Em pouco tempo a vila aparece e cresce, formosa e altiva.

Hoje, a grandeza impera, o povo se educa e as horas são boas.

Porque a Viçosa é celeiro, é um ponto de apôio de nossa Alagoas.

 

    13 de outubro! Data marcante para todos os viçosenses, do mais letrado, ao mais ignorante, por ser a festa mais bonita daquela Terra abençoada. Até a década de 60, como tudo era lindo! Pela manhã, havia missa campal, na porta da Igrejinha do Rosário, talvez o local daquela missa de Natal. À tarde havia os desfiles escolares. Cada escola que se esmerava, para se destacar. O Ginásio de Assembléia tinha a sua banda. Como a da Escola Normal só tinha instrumentos de percussão, ia a banda de um colégio de Maceió, geralmente o Colégio Guido, com os alunos engalanados, para puxar a Escola. As escolas primárias não ficavam atrás, com suas lindas balizas e várias alegorias. O interessante é que os pais se empenhavam tanto, com a indumentária representativa dos filhos, que não encaravam despesas. Era lindo demais! À noite, havia baile, muito concorrido, com gente da Capital e das cidades vizinhas. Cada mulher que caprichasse mais na elegância, como que querendo mostrar o brilho da Viçosa. Antes o baile era no Clube dos Diários até a sociedade, liderada pelo então jóvem Ismael Carnaúba, construir  o Clube de Viçosa.

        Depois, os municípios se multiplicaram. Até 1957, Alagoas tinha 32 municípios. Atualmente tem 102.  Viçosa perdeu Pindoba, Chã Preta, parte de Paulo Jacinto e parte de Cajueiro. A tecnologia se desenvolveu. As atenções ficaram voltadas para outras atividades, contanto que nas festas de emancipação, além de serem muitas, já não há tanta dedicação, tanto empenho e já são mais limitadas.

      Em 1931, por ocasião da festa do centenário da Emancipação, Dr. Manoel Brandão Vilela, que era um grande apaixonado pela Viçosa, deu-lhe o título de PRINCESA DAS MATAS, dizendo que “o melhor trono para uma princesa é o coração”

      

        Ainda jóvem, como professorinha primária, vim para Maceió, desejando encontrar árvores que me dessem sombra e me ajudassem a galgar a difícil escada da vida. Deus Nosso Senhor, na sua infinita misericórdia, mandou-me duas árvores muito frondosas, – Dr. Deraldo Campos e Padre Theófanes de Barros. O primeiro foi logo me dizendo: “não costumo dar o peixe pronto a ninguém. Dou o anzol e ensino a pescar. Mostro-lhe o caminho e você vai procurar as pedras”. O segundo me disse:” você tem valores que precisam ser explorados. Estude, faça um Curso superior, que eu lhe ajudo”. Isto foi um grande estímulo. Daí em diante, em vez de festas, de passeios, de roupas e comidas boas, todo dinheiro que me chegava, comprava livros. Fiz concurso para catedrática, fiz faculdade, depois, Pós-Graduação .

        Com estes dois apoios, a quem sou eternamente agradecida, mergulhei na prainha do oceano da Pesquisa, mas foi na Viçosa que adquiri os primeiros conhecimentos, que despertei o amor pelas letras, que comecei a carreira de professora.

         Saí da Viçosa, porém trouxe a minha PRINCESA entronizada no coração.

 



Escrito por isa loureiro às 11h55
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                                            AFINAL FOI LÁ OU CÁ?

 

 

Você prefere História ou Estória? História é a Ciência que estuda o homem e seus atos, no tempo e num espaço físico. A palavra vem do grego “historie” que quer dizer “ testemunho”. Para ser Ciência, a História tem que ser baseada em documentos. Geralmente, o documento vem de alguém que viu o fato acontecer. Enquanto a estória é movida por sentimentos, bairrismo, ou conveniências. Quando o fato histórico suscita polêmicas, a decisão está nos documentos.

O BRASIL FOI DESCOBERTO NA BAHIA OU EM ALAGOAS?

    Todos os historiadores sempre disseram que foi na Bahia. Do século passado para cá, surgiu a teoria de que foi em Alagoas, pelas características dos acidentes geográficos. Independente do local da terra avistada, se foi aqui ou ali, o importante é que os descobrimentos da América, do Caminho para as Índias e do Brasil concorreram para uma renovação mundial.   Entre outras consequências  positivas, salientamos as seguintes:

     -  Marcaram o início da Idade Moderna, beneficiando as atividades humanas em todos os setores.

       - Abriram novas perspectivas econômicas porque foram modificados os métodos de comércio. Este passou a ser todo feito pelo Oceano Atlântico.

     - Contribuíram para o progresso da ciência. A flora e a fauna tornaram-se mais conhecidas, concorrendo para desenvolver na Europa o estudo da Botânica e da Zoologia. A medicina teve novos sucessos.

- Os portugueses desenvolveram as ciências náuticas, criando regras para o conhecimento das marés, calculando a latitude pelo Cruzeiro do Sul, determinando a longitude, pela declinação magnética.

    - No setor das letras, as viagens tormentosas inspiraram os poetas da época, entre eles Luiz de Camões, com o célebre poema 0S Lusíadas.

  - Na religião foram marcantes as conseqüências dos descobrimentos. Como em toda a Europa, em Portugal também predominava o espírito religioso e uma das causas da procura de novas terras foi o desejo de converter os infiéis e levar a fé cristã a povos desconhecidos.

   O termo Índias não se referia apenas ao espaço territorial que hoje é o país da índia. Compreendia grande parte do Oriente. Da índia, traziam as especiarias que eram geralmente comestíveis, como cravo, canela, gengibre, noz moscada e outras. Ficaria muito dispendioso ir tão longe, para trazer somente isto. Traziam também mercadorias valiosas, como sedas do Japão, porcelanas da China e tapetes da Pérsia.  Com o êxito da viagem de Vasco da Gama, que além de descobrir o caminho marítimo para as Índias, de lá trouxera grande quantidade de especiarias e mercadorias de valor, Dom Manuel resolveu preparar outra expedição para ir a Calecut, cidade na costa ocidental da Índia.  O escolhido para comandá‑la foi o fidalgo Pedro Álvares Cabral  A Esquadra era composta de treze navios e a tripulação de mil e  duzentos homens, inclusive um médico ‑ o físico Mestre João, sete frades franciscanos, sob as ordens de Frei Henrique de Coimbra, que iam para ficar em Calecut. Foi a mais completa esquadra, até então organizada. Nela também ia um escrivão ‑ Pero Vaz de Caminha, nomeado para Calecut, onde os portugueses iam fundar uma feitoria que, pela intenção de Dom Manuel, seria uma futura colônia portuguesa. Portugal tornar‑se‑ia o país invejado pelos demais, por ter, uma feitoria tão próxima das riquezas orientais, podendo aproveitar bem das diversas fases do comércio. Quando houvesse fartura das mercadorias, consequentemente haveria baixa de preço.Era só abastecer os navios e enviá‑los para a Corte.                           

         No dia 9 de março de 1500 a frota partiu da foz do Tejo. Tudo corria normalmente. Mas ao passar pelo arquipélago de Cabo Verde, a nau de Vasco de Ataíde se desgarrou e desapareceu. A esquadra afastou‑se muito da costa africana. Dias depois começaram os navegantes a perceber algumas ervas marinhas e, finalmente, aves denominadas fura-bucho, sinais evidentes de proximidade de terra. No dia 22 de abril, avistaram um monte muito alto, de forma arredondada, algumas serras mais baixas e enfim, terra com muitas árvores.

      Cabral mandou que fizessem um cruz que foi levantada e Frei Henrique celebrou missa cantada, a que todos assistiram, inclusive os selvagens.

        Pero Vaz de Caminha, não era escrivão da frota, como costumam dizer. Ele ia como viajante. Tornou-se cronista porque foi anotando os acontecimentos da viagem. Este relatório ele transformou em carta e a enviou para Dom Manuel. Em conselho formado pelos capitães, foi decidido  re­meter‑se a Lisboa a notícia da descoberta. Sob o comando de  Gaspar de Lemos, alguns navios voltaram para a corte, levando quatro  cartas -  do comandante, de Pero Vaz de Caminha, do Mes­tre João e a de um piloto  que passou para a História como piloto anônimo. Esta só apareceu sete anos depois. Talvez tenha se ocultada por causa da política do segredo como era comum, na época. Só a de Caminha é o documento mais acessível ao público estudioso. Nesta, ele diz, logo no começo, que “não falaria sobre a marinhagem e singradura, porque não entendia e deixava para os pilotos fazê‑lo

 

 OUTRAS TEORIAS

                                            Quase todos os historiadores e cronistas afirmam, desde Gabriel Soares de Souza, que o descobrimento do Brasil aconteceu aos 17º de latitude meridional, nas costas baianas, baseando‑se na carta de Mestre João e onde as características geográficas coincidem com a descrição de Caminha. No entanto, Humbold levantou a hipótese, tomando como base a descrição que fez João de Barros em seu livro “ Décadas da Ásia, de que a descoberta se fizera aos 10º de latitude sul e que as primeiras terras avistadas pela esquadra de Cabral, tenham sido as do litoral de Alagoas. João de Barros foi o primeiro Historiador português e era chamado de Tito Lívio Português, mas não vinha na frota. Sua obra ”Décadas da Ásia” narrava os feitos portugueses, na Índia, mas ele escreveu este livro  em 1552.

               Conquanto dentre os historiadores alagoanos, Thomaz do Bomfim Espíndola tenha se referido ao fato sem tecer comentários, Jayme de Altavila e Alfredo Brandão defendem a hipótese de Humbold e Fernandes Gama.  Altavila acha que o primeiro ponto avistado tenha sido um dos cabeços da Serra da Nacea (hoje município de Boca da Mata), o ancoradouro da esquadra, a enseada do rio Coruripe e que as barreiras brancas e vermelhas, a que se refere Caminha, sejam as barreiras de Jequiá. Alfredo Brandão também considera como estas, as barreiras referidas, mas supõe que o monte avistado seja um dos cabeços da Serra Dois Irmãos, em Viçosa, admitindo ainda que o Porto Seguro tenha sido mesmo na Bahia. Eu também sou da Viçosa e gostaria que tivesse sido lá o primeiro ponto avistado. A minha Viçosa entraria para a História do Brasil. Ora, Caminha diz que avistaram um monte muito alto de forma arredondada. E a serra da Nacea e a Dois Irmãos têm forma arredondada?

    Ora, João de Barros afirma que, no dia seguinte à descoberta do Monte Pascoal, a esquadra rumou para o sul até Porto Seguro, enquanto Caminha e o Piloto Anônimo, dizem que rumaram para o norte e que do ponto primeiramente avistado ao ancoradouro havia a distância de umas dez léguas. Disso pode‑se concluir, considerando‑se o testemunho dos dois últimos e a referência à topografia, o tempo de singradura das naus e a distância mencionada na carta de Caminha, que não podemos afirmar ter sido em Alagoas o primeiro ponto avistado pela esquadra de Cabral, em 22 de abril de 1500.

             No nosso parecer, se história quer dizer testemunho, é mais válida a afirmação de quem estava presente, na ocasião, do que suposições feitas séculos depois.

 

Obs. Para maiores informações – HISTÓRIA DE ALAGOAS  de Isabel Loureiro de Albuquerque, 3ªedição        



Escrito por isa loureiro às 21h03
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Saudação a Nossa Senhora

 Quero começar meu blog / Com louvor e saudação / À Virgem Mãe de Jesus /Minha grande devoção.

                                             AVE MARIA

                                                                      Ovídio Melo

AVE MARIA!... -  lento o bronze soa

Com voz que ecoa na longínqua serra

E o ateu procura decifrar o medo,

Fundo segredo que essa hora encerra

 

AVE MARIA!... -  vem cantando a brisa

Na face lisa da lagoa azul.

Calam as aves sua voz sonora

E triste chora a viração do sul.

 

AVE MARIA!...- balbucia a rosa

Triste e chorosa, renovando a fronte,

E doce nuvem, que do  céu se inclina,

Oscula a crina do azulado monte.

 

Ave Maria!... – lá murmura o vento,

Que passa lento, carregando a luz,

Oram as turbas, reverentes, calmas,

Prostram-se as almas, no sopé da cruz

          

AVE MARIA!... – vem dizendo a lua,

 De face nua, a despontar fagueira

  Fogem as aves, procurando abrigo,

  Chora  o mendigo, do caminho à beira

 

  AVE MARIA!... – lá entoa o monge

   Longe, bem longe, do deserto além,

  As almas puras ao Senhor se enlaçam

  E os ecos passam, murmurando - AMÉM

 

 



Escrito por isa loureiro às 10h54
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